quinta-feira, 28 de novembro de 2013

QUINTA FEIRA DIA DO ORIXÁ OXOSSI

QUINTA FEIRA DIA DEDICADO AO ORIXÁ OXOSSI

Oxossi é o Orixá da caça, chamando muitas de Ode Wawá, ou seja, “caçador dos Céus”. É a divindade da fartura, da abundância, da prosperidade. Em seu lado negativo, porém, pode ser também o pai da mingua, da falta de provisão.
Suas principais características são a ligeireza, a astúcia, a sabedoria, o jeito ardiloso para faturar sua caça. É um Orixá de contemplação, amante das artes e das coisas belas.
Como todos os outros Orixás, Oxossi também está no dia a dia dos seres vivos, convivendo intimamente com todos nos. Dentro do culto, ele é o caçador do Axé, aquele que busca as coisas boas para uma Casa de Santo, aquele que caça as boas influências e as energias positivas.
No dia a dia, encontramos o deus da caça no almoço, no jantar, enfim, em todas as refeições, pois é ele que provê o alimento. Rege a lavoura, a agricultura, permitindo bom plantio e boa colheita para todos Oxossi, no Brasil, tem essa regência, no lugar de Orixá Okô. Senhor da agricultura, todavia Orixá Okô não é cultuado em terra brasileiras, pois seu fundamento não atravessou o oceano.
Oxossi é a semente, é o vegetal em ponto de colheita. É a fartura, a riqueza, é a carne que o homem consome.
Oxossi também esta ligado às artes. Todo tipo de arte. Ele está presente no ato da pintura de um quarto, na confecção de uma escultura, na composição de uma música, nos passos de uma dança. Seus encantamento está na arte de um modo geral. Se encanta nas misturas de cores, na escrita de um poema, de um romance, de uma crônica. Oxossi está presente desde o canto dos pássaros, da cigarra, ao canto do homem. É pura arte!
Oxossi também rege o revoar dos pássaros e seu encantamento mais bonito está na evoluções das pequenas aves.
Oxossi é a vontade de cantar, de escrever, de pintar, de esculpir, de dançar, de plantar, de colher, de caçar, de viver com dinamismo e otimismo.
Curiosamente, Oxossi também é a  comodidade, a vontade de vislumbrar, de contemplar. Oxossi é um pouco preguiça, a vontade nada fazer, senão pensa e, quem sabe criar.
A vida com essa força da Natureza, entretanto, não é só suavidade. Em seu lado negativo, Oxossi  pode proporcionar a falta de alimentos; o plantio escasso; o apodrecimento de frutas;legumes e verduras; e até mesmo a arte mal acabada, inacabada ou de mau gosto.
DADOS
Dia: quinta feira

Metal: madeira (África) e bronze (Brasil)

Cor: Azul Celeste claro
Partes do corpo: antebraço, braço, cabelo do corpo e pulmão.
Comida: Ewa (feijão fradinho torrado), dentro de um oberó, Axoxó (milho vermelho com fatias de coco) e frutas variadas.

Arquétipos: altruísta, abnegados, sinceros, simpáticos, tensos, austeros e que possuem sendo de coletividade.
Símbolos: O ofá (arco e flecha), ogê (um tipo de chifre de boi que é usado para emitir um som chamado Olugboohun, cuja tradução é: “Senhor escuta minha voz” e o Iru Kere (cetro com rabo de cavalo, boi ou búfalo, que ele usa para manejar os espíritos da floresta)
 
 

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

BANHOS e DEFUMAÇÕES

BANHOS e DEFUMAÇÕES fazendo a diferença sempre!

Banho de Ervas quando feito com ervas frescas deve ser maceradas;
Banho de Ervas quando feito com ervas secas deve ser feito em forma de infusão, ou seja, depois que a água ferver acrescenta-se as ervas, lembrando que o fogo deverá estar apagado para que as ervas não cozinhem;
Banho de Descarrego deve ser tomado à noite antes de dormir. Outros tipos de banhos podem ser tomados a qualquer hora e dia, assim como as defumações;
Não jogamos na coroa, chacra coronário, o sal grosso e os Banhos de Descarregos Fortes, portanto banhos que são compostos somente de ervas agressivas (salvo solicitação especiais e especificas);
É importante tomar um banho de ervas após o banho de sal grosso, pois este banho vem com a função de repor as energias que foram neutralizadas pelo sal;
Pode-se utilizar pedaços de carvão nas solas dos pés durante o banho de sal grosso. O carvão vem com a função de peneirar as energias, deixando somente as energias negativas serem neutralizadas.
Pode-se potencializar o poder energético dos banhos utilizando águas naturais como água de chuva, de cachoeira, de rio ou de mar. Acompanhe no post  ”22 de março, UM DIA MUITO ESPECIAL!!!”  a energia de cada água e suas funções.
É importante fazer a defumação sempre em oração para manter uma boa vibração e energia, podendo também cantar, afinal quem canta os males espanta!
E para finalizar, como já disse anteriormente, na dúvida, não defume, não tome banho de ervas sem perguntar ou confirmar com um Guia Espiritual ou com sua Mãe/Pai Espiritual afinal, eles conhecem as reais necessidades e as energias propícias de seus ‘filhos’.
Bom banhos de ervas a todos, excelente defumações e maravilhosas transformações na vida de todos! Axé carinhoso e bom final de semana.

  • Banho de limpeza - Guiné; Alecrim; Sal grosso.
  • Banho contra magia maléfica - Manjericão; Guiné; Aroeira; Alecrim; Funcho; Malva cheirosa (pode acrescentar mel e perfume à gosto).
  • Banho de descarrego para crianças até 14 anos - (usado também como calmante)  sete  balas de mel; Pétalas de rosas branca; Folha de tapete de Oxalá; Alevante; Melissa.
  • Banho para problemas de embriaguez - Alho macho; Salsão; Arruda; Guiné; Espada de são Jorge; Fumo em rolo desfiado; Quebra tudo.
  • Banho contra feitiço - Espada de são Jorge; Comigo ninguém pode; Quebra tudo; Alevante; Guiné; Arruda; Cambuí.
  • Banho de proteção - Espada de são Jorge; Espada de santa Bárbara; Folha de laranjeira; Folha de limoeiro; Folha ou casca de limão galego; Folha de cidreira; Folha de cidró; Rosas brancas (pode acrescentar mel e perfume à gosto).
  • Banho de descarga - Quebra tudo; Quebra pedra; Quebra inveja; Arruda; Guiné; Alevante; Comigo ninguém pode.
  • Banho para fortificar o espírito - Folha de eucalipto do mato; Folha de eucalipto cidró do mato; Folha de erva cidreira; Folha de cidró (pode acrescentar mel e perfume à gosto).
  • Banho para resgatar a energia vital - Folha de cacau; Folha de fumo; Alevante; Cominho em pó; Manjerona; Manjericão.
  • Banho para obter boa sorte – Cambuí; Arruda macho e fêmea; Erva de bicho; Folha de fortuna; Guiné; Alevante; Quebra tudo; Comigo ninguém pode; Funcho (pode acrescentar mel e perfume à gosto).
  • Banho para melhorar o clima dentro de casa - Melissa; Folha de laranjeira do céu ou da terra; Malva cheirosa; Manjericão; Funcho;  Aniz..
  • Banho de Preto Velho para atrair sorte – três rodelas de charuto; Arruda (macho ou fêmea); Guiné de guampa; Pétalas de rosas brancas; Trevo; Perfume de alfazema (pode acrescentar mel e perfume à gosto).
  • Banho de Exu (abre caminho) – Beladona; Arruda macho; Guiné de guampa; Erva pombinha; Folha de amoreira; Cambuí; Folha de marmelo.
  • Banho de Pomba-gira (abre caminho) - Guiné de guampa; Arruda fêmea; Cambuí; Aniz; Pétalas de rosas vermelhas; Folha de aroeira; Alevante.
  • Banho de Exu (limpeza e descarrego) - Arnica; Amendoim (folha); Couve; Carqueja; Folha de batata inglesa.
  • Banho de Cosme e Damião - Laranjeira; Pétalas de rosas; Cravos; Alecrim; Tapete de Oxalá; Sete balas e mel (pode acrescentar mel e perfume à gosto).
  • Banho de Oxóssi - Samambaia; Barba de milho; Folha de butiá; Alecrim do campo; Folha de coqueiro; Folha ou casca da manga; Folha da fortuna (pode acrescentar mel e perfume à gosto).
  • Banho de Oxum - Jasmim; Lírio do campo ou jardim; Erva cidreira; Salsa da horta; Pétalas de rosas amarelas; Manjericão; Aguapé; Folha da fortuna (pode acrescentar mel e perfume à gosto).
  • Banho de Iemanjá - Alecrim; Manjericão; Hortênsias; Perfume de alfazema; Jasmim; Folha de laranjeira; Aguapé; Rosas brancas (pode acrescentar mel e perfume à gosto).
  • Banho de Oxalá - Copo de leite; Girassol; Cravos brancos; Tapete de Oxalá; Folha de trigo; Fortuna; Funcho; Malva cheirosa.
-Defumação contra fluídos negativos - Quebra-tudo; Guiné-caboclo; Espada de Santa Bárbara; Pitangueira; Folha de marmelo; Alevante; Folha de Cambuí. 
Defumação para atrair sorte - Casca de laranja seca ralada; Casca de limão galego seco ralado; Casca de pêssego seca; Casca de maçã seca; Canela em pó ou casca; Cravo da índia; Semente de girassol.
Defumação para limpeza - Café em pó; Casca de coco ralado; Amoreira; Palha de alho; Pimenta da costa; Benjoin.
Defumação de descarrego espiritual – Cominho em pó; Açúcar mascavo; Fumo em rolo desfiado; Mirra; Incenso; Alecrim; Arruda (macho ou fêmea).
Defumação para dinheiro - Gengibre ralado; Açúcar mascavo; Breu; Semente de girassol; Noz-moscada; Pão amanhecido ralado; Louro; Pitangueira; Canela em pó; Cravo da índia.
Defumação para afastar espíritos de dentro de casa – Benjoin; Incenso; Mirra; Casca de alho (ou palha); Café em pó virgem; Alecrim; Pitangueira; Folha de marmelo.
Defumação para progredir na vida - Louro; Cominho em pó; Noz-moscada; Arroz com casca; Aniz; Malva cheirosa; Manjericão; Incenso.
Defumação para uso em estabelecimento comercial - Gengibre ralado; Cravo da Índia; Semente de girassol; Louro; Açúcar mascavo; Noz moscada ralada; Canela em pó; Breu.
Defumação Oxóssi - Folha de aipim; Folha de coqueiro; Folha de butiazeiro; Folha de caraguatá; Eucalipto; Folha de laranjeira.
Defumação Oxum - Alecrim; Alfazema; Jasmim; Sândalo; Folha de arroz; Funcho; Folha de bergamota; Folha de tomateiro; Hortelã; Verbena.
Defumação de Iemanjá - Hortênsias; Malva cheirosa; Fortuna; Alfazema; Violeta; Verbena; Aniz; Manjericão.
Defumação de Oxalá - Alecrim; Jasmim; Arnica; Copo de leite; Folha de trigo; Cidreira; Cidró; Funcho.
Defumação de Pretos Velhos - Guiné de guampa; Barba de milho; Fumo de rolo desfiado; Arruda (macho ou fêmea); Cana de açúcar ou bagaço; Café em pó.                                                                                                                       agradecimentos a Mãe Mônica Caraccio

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Banhos de Limpeza e Vitalização

Banhos de Limpeza e Vitalização
por Gustavo Martins

1. Introdução
Caríssimos irmãos de caminhada,
voltamos aqui para escrever sobre um assunto que me fascina desde o primeiro dia que entrei em contato com os irmãos da Umbanda: banhos, defumação, ervas, plantas, etc. Existem infinitas fontes de energia na natureza, que esperam somente a boa vontade do homem para utilizá-las em seu favor.
O conhecimento hoje passado pelos pretos-velhos ou caboclos na Umbanda já existe há muito tempo: os índios, os egípcios, os antigos magos, os benzedores, enfim, várias gerações anteriores à atual utilizaram as forças da natureza, tanto para o bem quanto para o mal.
O conhecimento transmitido pelos seguidores da Umbanda relativo a banhos e limpeza de ambientes é oral e pontual, ou seja, o tratamento é dado para um determinado problema e o "aprendizado" se perde por falta de estudo.
A maior parte, das pessoas que são beneficiadas, utiliza as indicações dos caboclos ou pretos-velhos e, após se sentir melhor, continua em sua rotina, sem se preocupar em entender o que realmente aconteceu.
Não pretendo criticar aqueles que buscam a cura, quero simplesmente explicar a minha motivação em procurar "entender" um pouco mais sobre esse fascinante manancial de energia que é a natureza.
A natureza é passiva, é mãe de amor, que nos ampara no seu colo como um filho querido. Pela vontade de Deus fomos criados, e pelo amor e sabedoria da Natureza nos mantemos vivos. Se soubermos pedir, ela nos dará tudo que desejarmos. Por isso é muito importante saber o quê e como pedir, para que não nos arrependamos depois.
Como não consegui encontrar muito material sobre os banhos na literatura, decidi então entrevistar um preto-velho, para que ele me transmitisse algumas informações sobre os banhos de limpeza e vitalização e limpeza de ambientes.
Ele consentiu em me dar a entrevista, e como fruto da nossa maravilhosa conversa foram criados dois artigos:o primeiro fala sobre os banhos e o outro, que será escrito em breve, aborda a limpeza do ambiente.
Gostaria de fechar essa introdução agradecendo de coração a esse sábio amigo, de fala mansa e simples, que encheu meu coração de alegria ao me passar tão belos ensinamentos sobre a Natureza.
Em sua humildade mostrou um imenso conhecimento sobre o assunto abordado, não deixando nenhuma duvida. Preocupou-se em passar de forma detalhada os ensinamentos, permitindo que qualquer um usufrua de suas preciosas lições.
Que a semente de luz plantada pelo amigo preto-velho possa iluminar o caminho de cada um que ler esse artigo.
Gostaria também de agradecer aos grandes irmãos Flavio e Andréia, a quem dedico com carinho este artigo.
2. Os Banhos
Existem vários tipos de banhos, utilizados para as mais diversas finalidades. Abordaremos neste artigo somente os banhos de limpeza e de vitalização.
Seria muito perigoso ensinar os outros tipos de banho passados pelo preto-velho ou caboclo para o seu médium, pois esses dependem de vários fatores e os procedimentos que devem ser tomados são um pouco mais complexos.
Por esse motivo, só abordaremos os banhos que não possuem risco de prejudicar o paciente.
Se o irmão seguir as precauções e procedimentos indicados no artigo, o banho só trará benefícios.
3. Função
Como foi falado no item anterior os banhos tem duas funções principais:
- Retirar as energias negativas que estão impregnadas no paciente e
- Revitalizar, imantar o paciente de energias positivas.
Os banhos não devem ser utilizados como remédio, nem tomados sem as devidas precauções. Segundo as palavras do preto-velho:
"Não adianta só o banho, temos que ter força para transmutar toda a negatividade em positividade".
Sabemos como é difícil viver em um ambiente onde ainda prevalecem as energias da sensualidade, do egoísmo e da falta de amor ao próximo, por isso os banhos servem para auxiliar aqueles que se sentem pesados, doentes e procuram um meio de ficar "mais leves", limpando e vitalizando os seus veículos mais sutis.
Uma questão importante foi levantada pelo nosso amigo preto-velho: nada pode substituir o amor, o perdão e a paz interior. O banho é uma ferramenta auxiliar, uma bengala e jamais poderá substituir o esforço e a coragem dos que buscam vibrar na freqüência do Cristo.
Use os banhos para se fortalecer, mas não faça deles o apoio para a sua caminhada espiritual.
4. Receptividade
Os banhos beneficiam qualquer um que deles se utiliza, porém, sua influência se dá nos corpos mais sutis, onde a receptividade possui variações diferentes daquelas que vemos no plano físico.
Um banho de limpeza retira as energias que estão "pesando" e o banho de vitalização imanta a pessoa de energias positivas.
Para o objetivo ser alcançado é necessário que o paciente se esforce para manter esse padrão vibratório de otimismo e confiança. Se retroceder ao padrão de pensamento e emoções descontroladas que tinha antes, tudo volta a ser como era.
O amigo preto-velho deu um exemplo perfeito: "É como aquele que toma banho de sabão e se esfrega no chão". O padrão vibracional tem que ser melhorado e o mais importante: deve ser MANTIDO!!!!
Como diria o Divino Mestre, "Orai e Vigiai!"
A conhecida fé é muito importante quando se faz um tratamento visando alcançar a matéria que vibra outros planos da vida. Acreditar no tratamento atrai energias importantes, criando um ambiente propício para a ajuda dos amigos espirituais que doam energias e atuam inspirando "idéias" renovadoras.
Podemos pensar no banho como um "momento" onde o paciente se dedica a si, buscando a melhora ao se tornar receptivo para a ajuda externa. Se o paciente não mantém um ambiente interior adequado, fica difícil aos espíritos atuarem na limpeza do ambiente externo (locais freqüentados) e interno (pensamentos e emoções).
Acreditem, não estamos sós na caminhada! Nunca!
5. Quem deve tomar os banhos
Qualquer um pode tomar os banhos que serão mostrados neste artigo. Seja espírita, umbandista, católico, não importa a bandeira, a natureza é sempre por todos!!
Contudo, os banhos de limpeza e de vitalização NÃO SÃO REMÉDIOS e por isso não devem ser tomados indiscriminadamente. Só deve tomar banho aqueles que realizam um tratamento espiritual (à distância ou presencial) ou os médiuns em dia de freqüência ao centro de sua preferência.
Vamos explicar brevemente o problema para seu melhor entendimento e mais tarde abordaremos este assunto com maior profundidade. O banho de sal grosso, que será explicado posteriormente, retira tanto energias positivas quanto negativas. Os chakras ficam "pipocando" depois do banho de sal grosso, ficando receptivos às energias que devem receber.
Por isso é extremamente importante que a pessoa vá ao centro ou local de sua preferência no dia que toma o banho. Lá, ela será imantada de energias positivas pelos espíritos que ali trabalham. No caso do tratamento à distância, isso será feito pelos responsáveis pela visita ao paciente.
Nosso grupo, o Grupo PAS (http://www.grupopas.com.br), indica o banho de limpeza e vitalização para o dia do tratamento, preparando o paciente para receber as energias que serão doadas pelos médicos, instrutores e colaboradores do grupo.
Seja o tratamento à distancia ou presencial, é necessário "estar sob a tutela" de amigos espirituais para realizar os banhos que são ensinados neste artigo.
NUNCA SE DEVE TOMAR O BANHO DE SAL GROSSO E IR PARA A RUA PASSEAR!
Também não é recomendado chegar da noite, após o consumo exagerado de bebida e fumo e tomar banho de sal grosso para tirar todos os espíritos ruins que o acompanharam. Essa atitude pode prejudicar mais do que beneficiar.
NÃO SE DEVE CRIAR O DIA DO BANHO DE SAL GROSSO!
O amigo preto-velho foi enfático neste ponto, informando que devemos ser prudentes para tomar os banhos.
Existe uma outra possibilidade para aqueles que não participam de nenhum tratamento ou não tem tempo para freqüentar um centro. O banho de mar, como foi informado pelo preto-velho, é muito mais potente que o banho de sal grosso. Abordaremos sobre o banho de mar, de cachoeira, de sal grosso e de ervas daqui a pouco.
6. Quando se deve tomar os banhos
O paciente deve seguir as seguintes regras:
a) deve tomar os banhos indicados neste artigo somente no DIA do tratamento espiritual, de visita ao centro ou de trabalho (médium);
b)fazer o possível para tomar o banho o mais próximo do horário marcado para o tratamento, palestra ou visita ao centro.
c)Não tomar o banho no dia anterior ou posterior; se não puder tomar o banho no dia indicado então é melhor não fazê-lo.
7. Tipos de Banho
Os itens anteriores serviram para introduzir alguns conceitos e advertir os leitores sobre a prudência ao se utilizar os banhos de limpeza e vitalização.
Abordaremos agora cada tipo de banho citado pelo amigo preto-velho.
O banho de limpeza será mostrado de duas formas distintas: banho de sal grosso e banho de mar. O banho de cachoeira também será abordado pelos seus inúmeros benefícios conhecidos.
Abordaremos cada planta em um tópico, mostrando suas características principais. As ervas têm um poder incrível, podendo até auxiliar nos casos de desobsessão, como mostraremos em breve.
7.1 Banho de Sal Grosso
A água é conhecida como o melhor condutor de energia e, quando ela se junta com o sal, funciona como um "descarregador" (por isso o nome banho de descarrego) das energias excedentes.
O banho de sal grosso descarrega o excesso de energia, tanto positiva quanto negativa. Ele atua principalmente no Duplo Etérico, podendo também, em alguns casos, atuar no corpo astral.
Depois de um "banho de descarrego" o paciente fica "zerado", por isso é muito importante se IMANTAR de energias positivas depois desse banho. Isso pode ser feito com o banho de ervas ou indo a um centro receber um passe.
7.1.1 Preparo do Banho
O banho de sal grosso deve ser preparado com água em temperatura ambiente, não devendo se utilizar água gelada ou quente.
A quantidade de sal utilizada deve ser a suficiente para deixar a água salgada. Não adianta colocar um pouquinho de sal para uma quantidade grande de água porque o efeito será o mesmo que um banho de água corrente.
A quantidade de água utilizada vai depender de cada um. Como dizia o vovô, "Um punhado de sal para um recipiente pequeno é suficiente para passar a água na frente e atrás do corpo. Se uma pessoa acredita que está muito carregada e precisa de mais água não tem problema, basta utilizar uma quantidade maior de sal. O que importa é a água ficar salgada".
Podemos concluir que a quantidade de água vai depender de cada um. Utilize a quantidade que achar melhor, mas sempre lembrando que é importante a água ficar levemente salgada.
Ao misturar o sal grosso com a água podem ficar pedrinhas no fundo da vasilha e não há problema algum nisso.
É muito importante entrar em um estado vibracional positivo desde o momento em que se está preparando o banho, buscando se abster de qualquer pensamento de baixo padrão vibratório. Preste atenção na sua respiração, tentando mergulhar em um estado de profunda introspecção, esquecendo assim problemas e aflições.
Você estará se preparando para receber os benefícios do banho e o auxílio dos amigos espirituais, criando em volta de si um ambiente propício para a ajuda energética e inspirações positivas na compreensão da doença ou problema.
7.1.2 O banho
O Banho de sal grosso deve ser dos ombros para baixo, não se deve molhar a cabeça. Como o amigo preto-velho informou: "Não se pode mexer na COROA". A coroa que os irmãos da umbanda falam é o nosso conhecido chakra coronário.
O banho de sal grosso deve ser realizado após o banho, não se fazendo nada após realizá-lo. Durante o banho normal deve-se manter a mente longe dos problemas e o pensamento firme, confiante no benefício que será recebido, mantendo esse padrão vibratório enquanto estiver se banhando com a água salgada.
Não é obrigatório orar, contudo, cada um deve fazer da forma que achar melhor para se conectar com o alto e receber as energias positivas que irão imantar sua aura.
Entrar em ligação com o alto, buscando pensar em coisas boas, se desligar das lembranças ruins e esquecer completamente dos problemas que estão incomodando é o mais importante durante o banho, que começa desde o momento do preparo da água salgada..
O motivo do banho de sal grosso ser a última coisa a se fazer não é ritualístico; se a pessoa tomar o banho de descarrego e depois continuar com o banho normalmente ela acabará se esquecendo do principal, que é pensar positivo, imantando-se em energias positivas.
Se a pessoa se sentir incomodada com o sal que ficou no corpo após o banho, basta passar água corrente para retirar o excesso de sal.
Isso deve ser realizado quando pessoas com pressão alta fazem uso do banho, porque o sal pode ser absorvido pela pele e aumentar sua pressão arterial.
7.1.3 Após o banho
Não sair para a rua após o banho, exceto para ir ao centro de sua preferência, para receber tratamento ou trabalhar auxiliando o próximo.
Como foi informado anteriormente é muito importante se imantar em energias positivas após o banho de descarrego. Essas energias serão doadas pelos irmãos que realizam o tratamento à distância, pelos médiuns que doarão energias no passe ou pelos mentores (no caso dos médiuns).
7.2 Banho de Mar
O vovô nos informou que o banho de ervas e sal grosso só pode ser realizado por pessoas em tratamento espiritual ou que freqüentam um centro ou médiuns e isso me deixou um pouco frustrado, porque gostaria de levar também o auxilio para as pessoas que se sentem "pesadas" com as cargas de energias negativas que se envolvem diariamente e que não estão enquadradas nos casos acima.
Foi aí que o sábio preto-velho nos deu uma dica valiosíssima: O banho de mar!!!
Segundo o amigo, o banho de mar é muitas vezes mais potente que o banho de sal grosso. Isso porque a água do mar possui elementos que o banho de sal grosso não possui (vitalizantes); além disso, temos o sol, que derrama suas energias depois que a pessoa se banha na praia.
O mar é conhecido pelos irmãos da umbanda como "Kalunga Grande", que significa grande cemitério, que descarrega e absorve as energias negativas que estão impregnadas na aura dos seus freqüentadores.
Diferente do banho de sal grosso, que descarrega energias positivas e negativas, o banho de mar limpa nossa aura e a imanta de energias positivas. É um santo remédio.
Segundo nosso querido amigo o mar é regido por um Orixá, que se chama Iemanjá e que é representado pela figura de Nossa Senhora, de braços abertos.
Essa figura representa a natureza passiva dessa "energia", que recebe a todos de braços abertos, absorvendo com todo amor e carinho as energias negativas e doando, através do seu coração iluminado de luz, as poderosas energias que vem do alto. (temos um artigo que fala sobre orixás no site do Grupo PAS)
Muitos ao ler este artigo dirão que nada sentiram antes, durante ou depois de mergulharem no mar. Reclamarão que nunca tiveram nenhum benefício "espiritual" por ter se banhado na praia.
Eu respondo com perguntas. Quantos ao entrar no mar buscaram se sintonizar com a maravilhosa energia viva que aí reside? Quantos entraram na água como crianças, que buscam o colo de uma mãe carinhosa, se entregando com confiança aos braços de uma matrona, que te abraça e abençoa? Quantos de nós já paramos e buscamos pensar que o mar não é só um monte de água salgada com ondas?
Sim, queridos irmãos, existe ali vida, em diversos planos. Desde dos pequenos elementais até os Devas. Os primeiros são os trabalhadores responsáveis por manter "viva" a vida marinha e os segundos são anjos que transformam as potentes energias que vêm do alto para benefício dos vegetais, animais e dos homens.
Podemos encontrar referência às poderosas energias do Mar no livro "Entre o Céu e a Terra", de Francisco Cândido Xavier, pelo espírito André Luiz, no capítulo 5 - Valiosos Apontamentos :
"- O oceano é miraculoso reservatório de forças - elucidou Clarêncio, de maneira expressiva -; até aqui, muitos companheiros de nosso plano trazem os irmãos doentes, ainda ligados ao corpo da Terra, de modo a receberem refazimento e repouso".
No livro "Faz parte do Meu Show", de Robson Pinheiro, encontramos várias referências do benefício que os recém-desencarnados recebem ao se aproximar das praias.
No livro "Voltei", também escrito por Francisco Cândido Xavier, a equipe responsável pelo trabalho de ajuda aos recém-desencarnados faz os primeiros atendimentos na praia.
Informamos no artigo que, durante o banho de sal grosso, o pensamento e o coração devem estar conectados com o alto. Acredito que essa também deva ser a postura daqueles que buscam "Algo Mais" do banho de Mar.
Antes de tomar o banho, sente-se na areia e busque a conexão com a mãe Terra (você está sentado na areia), olhe para o mar, admire sua beleza e busque entrar em contato com ele, entrando em uma faixa vibratória superior. Deixe que sua intuição lhe diga o momento certo de entrar no Mar. Entregue-se a ele como uma criança que se joga no colo da mãe, buscando ali uma fonte terna de carinho e amor. Não se preocupe em "sentir", concentre-se no ato de se limpar no banho de mar e tenho certeza que Iemanjá fará sua parte.
7.3 Banho de Cachoeira
A cachoeira está geralmente em um ponto afastado do barulho, e em sua maioria não possui um movimento intenso de pessoas, recebendo seus visitantes de forma espaçada.
Em volta da cachoeira existe um ecossistema com plantas, rochas, animais, insetos, etc. É como se fosse um pequeno mundo!
A água da cachoeira, em sua grande maioria, é limpa, pura e cristalina. A corrente garante que essa água esteja sempre circulando, passando por pedras, sendo banhada pelo sol, entrando em contato com inúmeros elementos da Natureza e carregando-os consigo, porque como vimos anteriormente, a água é um ótimo condutor.
Aqueles que são um pouco mais sensíveis ou que se esforçam em concentração perto de uma cachoeira podem sentir que existe uma vida que rege todo o ecossistema da cachoeira. Alguns ouvem uma melodia, outros vêem miríades de luz, outros somente sentem uma paz intraduzível quando se aproximam desse ambiente.
Toda cachoeira tem um ser angélico responsável por toda essa "paz" que a envolve. Eu a chamarei de Senhora da Cachoeira (os irmãos da Umbanda chamam de Mamãe Oxum), somente dando esse rótulo para facilitar o entendimento.
Ao se banhar em uma queda de água ou ao mergulhar no poço formado por uma cachoeira é impossível não se sentir mais leve. Esse anjo transforma as poderosas energias que vêem do alto para manutenção da vida e a "condução" dessa vida pelo rio que se forma com a cachoeira.
A pedra parece viva, as plantas parecem mais brilhantes, o ar é impregnado por alguma substancia X, de aroma agradável, as aves parecem brincar de forma angelical.
Assim é o ambiente de uma cachoeira. Ao se banhar em uma cachoeira uma torrente de energias positivas o envolve, imantando e limpando sua aura de forma espetacular.
Cada cachoeira é um espetáculo diferente. Por isso, pare e se concentre em cada uma, você conseguirá sentir a diferença. Todas são diferentes e magníficas obras primas desses anjos de luz.
7.4 Banhos de Vitalização (Ervas)
As principais finalidades do banho de ervas são: imantação, reenergização e harmonização.
Após o banho de sal grosso é indicado o banho de ervas, que imanta a aura do paciente de energias positivas.
Como foi dito pelo amigo preto-velho, não existe a melhor erva para se tomar banho, assim, o artigo contém mais de um planta para facilitar a localização.
É claro que existem características específicas de cada planta, ou seja, podem existir ervas que são mais indicadas para determinados casos e menos para outros, contudo, isso foge ao escopo do artigo e segundo nosso amigo, para a função principal que é vitalizar, todas se ajustam muito bem.
Primeiro vamos mostrar como se prepara o banho de ervas e depois falaremos sobre as seguintes ervas: Guiné, Rosa Branca, Arruda e Manjericão.
7.4.1 Preparação
Colocar a planta ou flor (no caso da rosa branca) que será utilizada na panela para ferver. ELA DEVE SER FERVIDA JUNTO COM A ÁGUA.
É importante que a panela esteja TAMPADA. Se ela ficar destampada, alguns elementos importantes volatilizam e se perdem.
Essa forma de preparo libera os óleos essenciais, sendo diferente da preparação de chá por infusão, onde se ferve a água e depois se coloca a planta. Não confundam!!
Para arruda, guiné e manjericão basta utilizar um galho da planta.
No caso da rosa branca deve-se utilizar três rosas. NÃO UTILIZAR OS GALHOS, somente a flor. Não é necessário tirar pétala por pétala.
As plantas TÊM QUE SER FRESCAS. Não adianta comprar ervas secas ou armazená-las secas. As plantas secas servem para o preparo de chá, contudo, não servem para os banhos.
Esperar a água chegar a uma temperatura agradável para tomar o banho e cuidado para não se queimar!!
7.4.2 O Banho
O modo do banho vai depender da planta:
- Rosa Branca - Deve-se tomar o banho de sal grosso e logo após tomar o banho de rosa branca. Pode-se molhar a cabeça com o preparado extraído da rosa branca.
- Arruda e Guiné - Quando se toma banho dessas duas plantas não é necessário o banho de sal grosso. Como será visto, elas têm a propriedade de transmutar as energias, ou seja, elas absorvem as energias negativas e imantam de energia positiva. O banho de arruda e guiné deve ser tomado do ombro para baixo. NÃO MOLHAR A CABEÇA.
- Manjericão - O Banho de Manjericão deve ser tomado após o banho de sal grosso e, de forma análoga ao banho de arruda e guiné, só deve ser tomado dos ombros para baixo.
7.4.3 O Banho de Arruda
Os óleos essenciais liberados pela arruda durante a preparação do banho liberam um odor que "incomoda" os obsessores. Além de limpar e imantar a aura ela também ajuda o paciente a se desvencilhar "temporariamente" do obsessor. A permanência desse afastamento vai depender muito mais do padrão vibratório do que dos banhos tomados.
Lembrem-se, os banhos são ferramentas de auxílio, não são a solução dos problemas espirituais. O banho de arruda tem três funções principais: Limpeza, Vitalização e Afastamento de Obsessores.
7.4.4 O Banho de Guiné
O banho de guiné é mais potente que a Arruda no sentido de transmutar as energias negativas em positivas. As duas plantas alcançam o seu objetivo, ou seja, trazem o benefício ao paciente, contudo, a guiné possui elementos mais concentrados para esse tipo de serviço.
7.4.5 O Banho de Rosa Branca
A principal função do banho de rosas brancas é a vitalização.
Esse banho é uma benção!!!
Lembrem-se que o banho de rosa branca é o único citado nesse artigo que permite molhar a cabeça.
7.4.6 O Banho de Manjericão
O manjericão é uma erva poderosíssima para vitalização, tanto que na Umbanda ela é utilizada para vitalizar as guias dos médiuns (aqueles "colares" que os irmãos da Umbanda utilizam).
O vovô pediu para informar que as guias dos médiuns da Umbanda são condensadores de energia, e que tem cores diferenciadas porque atuam em frequências distintas. Esse assunto será abordado no futuro na coluna que trata sobre Umbanda.
8. Conclusão
Todos os banhos que vimos trazem benefícios, por isso não fique preocupado com qual planta deve ser utilizada. Acredite na sua intuição na hora de comprar e abra seu coração para esse maravilhoso arsenal de energias doadas pela natureza.
A dúvida para escolher a melhor planta e o pensamento fixo em encontrar "a melhor" erva para o seu caso pode atrapalhar todo o tratamento.
9. Como comprar as ervas e o Sal Grosso
O sal grosso vendido normalmente nas lojas possui anti-umidificante. Essas substâncias tornam o sal menos puro, contudo, não invalidam o tratamento.
Casas de artigos religiosos, principalmente de Umbanda, vendem um sal menos modificado, que vem em pedras maiores.
As ervas devem ser frescas! Não adianta utilizar ervas secas!

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Xangô e o atabaque (Tambor Bata)

Xangô e o atabaque (Tambor Bata)


Xangô e  o atabaque (Tambor Bata)

Tambor Bata, Nigéria (Tambor de Xangô)


Como mencionamos anteriormente, Xangô é um dos orixás mais importantes dentro da estruturação do candomblé. Pois seu império, reino de Oyó, é, sem dúvida, a maior “inspiração”, ou herança, trazida da África através das sacerdotisas (escravas), como melhor exemplo para a reestruturação das religiões africanas aqui no Brasil.

Além da estrutura organizacional que, segundo os mitos e historiadores, existia na terra do Alafim, também é possível notar que todas as atribuições hoje existentes no Candomblé, que é brasileiro, tiveram inicio no império de Xangô. Seja os cargos mais importantes no ritual, até mesmo às denominações mais simples. Oyó foi uma espécie de “protótipo” indispensável na criação ou reestruturação da religião dos orixás no “Novo Mundo”.

A simbologia de Xangô, que é riquíssima de fundamentos, possui papel primordial no panteão Afro-Brasileiro. Um grande exemplo disso é o atabaque, que dá ritmo às diversas cerimônias realizadas por nós, adeptos ao candomblé. O atabaque é peça fundamental, e sagrada, para a realização do culto aos nossos deuses. Pois é através deles que os Ogãs ou Alabês invocam os orixás. O que poucos sabem é que o atabaque pertence à Xangô, e, mais uma vez, estamos diretamente ligados a este orixá para que possamos realizar nosso ritual à nossas divindades africanas.

Att, Marcelinhu D’ Xangô






O Atabaque



O atabaque é símbolo do som primordial, da palavra, da tradição e da magia. O tambor estabelece relação com o coração. Na África, tanto nas culturas mais primitivas, como nas mais evoluídas, assimila-se ao altar sacrificial e, por isto, tem o acarretar mediador entre o céu e a terra. Alguns dizem que Xangô usava seu tambor Bata para atrair os relâmpagos.

Para um melhor esclarecimento sobre a ligação de Xangô com o tambor, bem como, com o candomblé, com a grande reunião ritualística que se aglomera em torno dos atabaques até hoje, vamos citar um Ítan (Mito) no qual podemos afirmar essa ligação.



Ítan Obara-Irosum




“ Em crise financeira e emocional, Xangô, sentia-se mal no lugar em que vivia. Um dia, no caminho, encontrou com Exú e desabafou toda situação em que vivera naquele momento e a este  fez um pedido, que encontrasse um lugar para ele viver, reconstruir sua vida.

Passado algum tempo, Exú vai ao encontro de Xangô dizendo-lhe que havia encontrado um novo lugar para ele morar. Um pequeno povoado onde Xangô, com certeza, iria sentir-se bem e iria prosperar. Xangô, todo satisfeito, dirige-se ao tal povoado no qual Exú lhe conduzia. Chegando lá, Xangô instalou-se numa pequena cabana que Exú lhe conseguira de antemão. Logo foi arrumando seus pertences e, muito feliz com a nova morada, pegou seu tambor Bata e começou a tocá-lo de forma entusiasmada.

Sem prestar atenção que enfrente a cabana, aos poucos, aglomerava-se um numeroso grupo de pessoas que, subjulgados pelo som, giravam em frente à casa, pois naquela terra não se conhecia a musica, dado que o rei daquele povo havia proibido tocar música e essa era a primeira vez que ouviam.

Xangô, ao perceber o grande número de pessoas que dançavam em sua frente, tocava mais freneticamente seu tambor. Nesse meio tempo, o rei foi informado que perto dali havia um homem que havia revoltado o povo com uma música produzida por um tambor. Muito intrigado, o rei dirigiu-se até o local onde o povo estava aglomerado e, abrindo caminho por entre a multidão, logo chegou frente a frente com Xangô, que delirantemente fazia soar seu tambor Bata.

Pouco tempo observando, o rei deu um salto e caiu também fascinado pelos acordes daquele tambor, rodando até o chão, a coroa que carregava em sua cabeça, caiu sobre a cabeça de Xangô. Exú, que estava ao lado de Xangô, imediatamente perguntou ao povo que estava congregado ali sobre quem queriam que fosse seu verdadeiro rei, e o povo, em uma só voz, disse que queriam Xangô. A partir daquele momento, Xangô se curvou diante do povo que o consagrou. Reinando naquela terra, fez um novo povo para ele, trazendo felicidade e a música para seus seguidores.”

Fonte: Web.




Dada a relação de Xangô com o atabaque, bem como o principal significado desse instrumento dentro do culto aos orixás, é necessário, ainda, esclarecermos a origem do tambor em cada um dos principais povos que deram origem ao candomblé no Brasil. Seus nomes, culto e, também, os principais ritmos repercutidos por esses instrumentos que são o maior símbolo de sacralização dentro de cada roça de candomblé.




Atabaque Bantu
“... As casas de candomblé de origem Bantu chamam seus tambores de Jingoma (plural de Ngoma), os de afinação grave são chamados de “Roncador”(embora essa definição provavelmente venha do Ioruba/Jeje: Ilu Rum, que significa tambor que ronca); Os de definição média, “Socador”, e os de definição aguda, “crivador”.”

O hábito de utilizar os tambores Jingoma em trio é proveniente, principalmente, do povo Tchokwe e dos Luanda Kioko (que deu origem, no Brasil, ao culto Omolocô). Outros povos da cultura Bantu como Nkongo, Ngola, Shona, Moçambique (Yangana), Zulu, Bemba (Zâmbia), Lingala (Zaire) e outros faziam uso de quatro ou cinco Jingomas.

Na antiguidade africana e brasileira, encontramos as seguintes denominações para o trio de tambores:

Ngoma Tixina = Grave
Ngoma Mukundu = Médio
Ngoma Kusumbi = Agudo

Ou

Ngómba = Grave
Ngónje = Médio
Gonjê = Grave

No Brasil, encontramos ainda as seguintes denominações (que variam de terreiro a terreiro):

Candongueiro, Tantã, Macumba, Caxambu, Tambor-de-crioulo, Carimbó, Tambu, Encomba, Incomba, Ingono entre outros.

Esses últimos foram usados comercialmente para definir, genericamente, no Brasil, os tambores de origem Bantu e gradativamente foram substituindo os atabaques nos terreiros Angola/Congo e nas umbandas, principalmente. 





Atabaque Ioruba

Os Yorubás chamavam seus tambores, genericamente, de Ilu, embora essa denominação seja mais comum nas tradições Nagô/Ijexá com seus tambores cilíndricos: Yan (Grave), Melé (Médio) e Oncó (Aguda).

As nações iorubas, na África, possuíam um tambor especial dedicado a cada orixá, ou seja, cada divindade possuía seu tambor.  Seria muito extenso colocarmos aqui os nomes dos tambores por lá utilizados, já que entre os iorubas existem mais de 600 orixás. Lembramos apenas de alguns nomes de ritmos ritualísticos que existem aqui no Brasil, e que na África são os nomes dos tambores, tais como Igbim e o gigantesco tambor Sató.

Atualmente, em quase todo o Brasil, os candomblés são ritmados pelos atabaques de origens Fon/Jêje e foram apropriados pelas culturas Yorubá e Bantu.  Portanto, os atabaques brasileiros são conhecidos como:

Rum  = Tambor grave

Rumpi ou Pi = Tambor médio

Lé = Tambor agudo

Rum            Rumpi              Lé   


Os atabaques no candomblé são objetos sagrados e renovam anualmente esse axé. Só podem ser usados unicamente nas dependências do terreiro, não saem para rua como os que são utilizados nos afoxés, estes são preparados exclusivamente para esse fim.

As membranas dos atabaques são feitas com o couro dos animais que são oferecidos aos orixás, independente da cerimônia que é feita essa consagração. Quando são comprados, o couro que veio da loja é descartado e só depois de passar pelos rituais é que poderão ser utilizados no terreiro.

Os atabaques no candomblé só poderão ser manuseados e tocados por pessoas exclusivamente responsáveis e preparadas para isso, que são denominados como:

Alagbê (Nação Keto), responsável pelo Rum (Atabaque maior) e pelos Ogãns nos atabaques menores sob seu comando.

Xicarangoma (Nação Angola) e Rontó (Nação Jêje) – Esses recebem a mesma atribuição e responsabilidade que o Alagbê, porém em nação diferente.


É o Alagbê que começa o toque, e é através do seu desempenho no Rum que o orixá vai executar sua coreografia de dança, sempre acompanhando o floreio do Rum. O ritmo do Rum é quem comanda o Rumpi e o Lé. 





Os atabaques são repercutidos com o auxílio dos Agdavis (varetas), que são feitas de madeira de cambuim ou goiabeira. É com essas varetas e com a mão que são tocados os tambores. Os Agdavis variam de acordo com a nação em tamanho e espessura, ou também podem ser excluídos, sendo substituído apenas pelas mãos dos ogãs, o que não é errado.


Agdavi


O ritmo do candomblé não se detém apenas ao som dos atabaques. Estes são auxiliados, ainda, pelo som do Xequerê (Agê), que são cabaças (fruto da família do melão), que é envolta por contas que, ao deslizarem, produzem acentos e ritmos.  


 

Xequerê (Agê)



Como auxílio ao ritmo do candomblé, podemos encontrar, também, o Agogô ou Gan, que em ioruba significa sino. É um instrumento de percussão, geralmente de ferro, que possui duas ou mais campânulas, de tamanho e sonoridade diferentes, que é percutido por uma vareta também de metal. Chama-se também de gonguê, Gan ou xeré.


 
Agogô  / Gan /  Xeré


Aqui temos imagens dos tambores mais tradicionais no candomblé nas principais regiões brasileiras onde o culto aos orixás é difundido.


Tambores do Nordeste

Nordeste:

Aqui vemos três Ilus, tambores muito utilizados nos cultos de Tambor de Mina. E alguns atabaques de uso clássico nos candomblés da Bahia. Seu uso se espalhou para o resto do país devido à facilidade de confecção e transporte. O tambor gigante é de origem Jêje, com dois metros de altura; as tradições Fon se utilizavam desses tambores para repetir a lenda da serpente Damballawedo, que se enroscava na árvore para guardar o segredo do mundo. Reparem no desenho da cobra no casco do tambor. Ao lado do gigantesco tambor, podemos observar um Rumpi e um Lé.

Tambores da região sudeste 


Sudeste:


Na frente, deitados, vemos duas Ngomas com cravelhas metálicas, datadas de quase 50 anos. Ao lado delas, também deitada, vemos outra Ngoma com sistema de cordas, esta pertenceu a um Xicarangome de Joãozinho Da Gomea; é um tambor que tem, no mínimo, 150 anos. Ao fundo outra Ngoma com sistema de cravelhas, o tambor de Congada, do Paraná.  Em pé, vermelhas, podemos observar duas Congas clássicas, que são os correspondentes modernos das Ngomas antigas. Todos esses são tambores originais da região sudeste, porém foram substituídos pelos atabaques, mais fáceis de fabricar, carregar e, também, mais baratos; coisas da indústria.


Tambores da Região sul 


Sul:

No meio vemos o raríssimo tambor Inhã, tambor dedicado a Xangô. Ao lado, vemos dois tambores do batuque, um dedicado à Oxum e Ogum, bem antigo, feito de Latão. Do outro lado, vemos, um tambor dedicado a Exú, feito em madeira. A frente, o raríssimo tambor nanico, utilizado nos dias de hoje em pouquíssimos templos de origem Jêje. Repare que a Inhã, assim como os tambores Bata, não podem tocar diretamente o solo, por isso está sobre um banquinho. 



Toques dos orixás





Cada nação possuía na África um tipo de atabaque diferente, desses originaram diversos tipos de toques, diferentes, para diversas divindades. Na reestruturação da religião africana, aqui no Brasil, muitos desses atabaques e sons por eles repercutidos foram assimilados a um ou mais orixás, de acordo com a região de culto em que esta divindade provinha, bem como o atabaque correspondente. Sendo assim, as principais nações que sobreviveram o tempo e são, até hoje, cultuadas aqui reverenciam os deuses através desses toques e cânticos.

A maior nação dos orixás, cultuada no Brasil, até os dias atuais, é o Keto, de origem Yoruba. Portanto, vamos demonstrar os principais toques, originários dos povos iorubas que foram, com o tempo, adotados por quase todas outras nações que ainda são cultuadas por aqui, como os povos de Origem Bantu (Ngola/Congo) e os Fon (Jêje).

Os principais toques são:

ADABI / AGABI / EGO - Bater para nascer é seu significado. É um ritmo sincopado, dedicado a  Exú e Ogum. Originário das nações Nagô ou Jêje.

ADARRUM - Ritmo evocatório de quase todos os orixás. Rápido, forte e contínuo marcado junto com o agogô. Dedicado a Ogum, principalmente acompanhado de cânticos.

ALUJÁ / ELUJÁ – Divide-se em roli e pani-pani. Significa orifício ou perfuração. Toque rápido com características guerreiras. É dedicado à Xangô. Originário da Nação Keto.

AGUERÊ – Em Ioruba significa “lentidão”. Ritmo cadenciado para Oxossi e com andamento mais rápido para Iansã. Quando executado para Iansã é chamado de “Quebra-pratos” ou Abata (Tipo de Ilu). Originário do Keto, podendo ser executado a diversos orixás, acompanhado de cânticos.

BATA – Significa tambor para o Culto a Egumgun e Xangô. Ritmo cadenciado especialmente para Xangô. Pode ser tocado para outros orixás. Tocado com as mãos.

BRAVUM – Dedicado a Oxumaré, Ogum e Nanã. Ritmo marcado por golpes fortes do Rum. Utilizado no Jêje.

AVAMUNHA / AVANIA / REBATE OU ARREBATE – Utilizado no Jêje para todos. 

CORRIDO / MASSÁ  -  Nagô, para todos.

FORIBALE – Significa dobrar o couro - Origem Nagô. Toque para pessoas notáveis.

HUNTÓ / RUNTÓ – Ritmo de origem Fon executado para Oxumaré. Pode ser acompanhado de cantigos para Obaloayê e Xangô.

IGBIN - Significa caracol. Lembra a viajem de um ancião. É dedicado a Oxalufã.

IJESÀ / IJEXÁ – Ritmo cadenciado tocado apenas com as mãos. Dedicado à Oxum quando for apenas toque instrumental. Quando acompanhado por cânticos, pode ser oferecido a Exu, Ogum e Oxalá.

ILU – Significa, também, atabaque em ioruba. Ritmo dedicado à Oyá/Iansã.

UMBÓ / BATÁ-COTÔ  -  Ketu, dedicado a Xangô e Oxaguiã

KORIN-EWÈ ou AGUERÊ DE OSSAIN – Significa “Canção das folhas”. Originário de Irawò, Nigéria, cidade onde é cultuado Ossain.

OGUELÊ – Ritmo atribuído à Obà. Executado com cânticos para Ewà.

OPANIJÈ – Andamento lento marcado por batidas fortes do Rum. Significa “Aquele que mata e come”. Dedicado a Obaluayê.

SATÓ – A sua execução lembra o ritmo Bata com um andamento mais rápido e marcado por batidas fortes do Rum. Dedicado a Yemanjá, Oxumaré e Nanã. Significa a manifestação de algo sagrado.
TONIBOBÉ – Pedir e adorar com justiça é o seu significado. Toque exclusivo para Xangô.

Nas nações de origem Bantu (Ngola/Congo), além de terem adotado os ritmos citados à cima (alguns terreiros), possuem, também, os seguintes ritmos originários de sua cultura.

ARREBATE
CONGO DE OURO
CABULA
BARRA VENTO
ALUJÁ
IJEXÁ
MUZENZA


No Batuque (Rio Grande do Sul), encontramos os seguintes toques:


OGUERÉ – Toque de Odé e sua esposa Otim.

BIOFÁ – Para Oxalá, Iemanjá, Oxum, Xapanã e Obà.

ALUJÁ – Um ritmo rapidíssimo para Xangô.

JÊJE – Também muito rápido tocado para todos os orixás em sua forma jovem.

ARÉ – Também similar. Dedicado a Bará, Ogum, Oyá, Xangô e Xapanã.

LÔ-CORIDI – (para outros “olocori”) Dedicado a Oxum Docô, a velha.




ALAGBÊ


O Alagbê (Alabê) é um Ogã (cargo hierárquico masculino) responsável por todos dos demais Ogãs da casa. Ser um Alabê é uma grande responsabilidade e não resume-se em apenas “tocar tambor”. Muito além disso, a responsabilidade do Alabê se estende dentro e fora do terreiro.

O fato de saber percutir o som dos atabaques não quer dizer que este seja um Alabê. Só chega a este posto (cargo) aqueles que são escolhidos pelo orixá ou pelo Babalorixa, sendo iniciado para exercer essa atribuição.
Quem é “nomeado” Alabê, deve ter a consciência de que esta recebendo um cargo da mais alta confiança e deverá, obrigatoriamente, corresponder a esse “titulo”. Pois dele, do Alabê, grande parte do ritual passará, também, a ser de sua responsabilidade, sobretudo o axé resultante desse ritual.

O Babalorixá passará ao Alabê um grande conhecimento, para que este execute, sempre, sua função de forma correta e exemplar. O Alabê da casa passa a ser o líder dentre todos os Ogans. Sendo assim, é de sua responsabilidade orientar, ensinar e zelar pelos demais Ogans. Isso sempre de forma pacifica e harmoniosa.

Cabe ao Alabê, dentro do exercício de suas funções, cuidar, alimentar, respeitar e zelar pelos atabaques. Bem como, ensinar os demais Ogãns a manter essa tradição. Realizar a manutenção do tambor e seus devidos cuidados é sempre responsabilidade de todos.

O Alabê é quem comanda ou “rege”, com seu atabaque (Rum), os toques a serem executado e acompanhado pelos demais Ogãns. Ele, obrigatoriamente, deverá saber tocar e conduzir qualquer cerimônia dentro do candomblé. Desde a cerimônia do Bori (iniciação) até o Axexê (ritual fúnebre).

Ninguém se torna Alabê “da noite para o dia”.  Isso é um processo longo, de muita dedicação, amor, respeito e carinho para com os orixás. Leva-se muito tempo para adquirir a confiança, tanto do Babalorixá quanto dos mais velhos, dentro do terreiro.

Tanto o Alabê, quanto os demais Ogãns, jamais deverão permitir que pessoas estranhas, que não pertençam ao terreiro nem sua “raiz”, toquem em seus atabaques. Também é necessário que todos (Alabê e Ogãns) saibam que existem algumas restrições que devem ser respeitadas e cumpridas, tais como:

 - Abster-se de relação sexual, no mínimo, 24 horas antes das cerimônias (isso vale para todos iniciados).

- Privar-se do uso de bebidas alcoólicas e outras drogas antes e durante as cerimônias.

- Nunca tocar o atabaque sem que esteja devidamente trajado (geralmente de branco) e descalço.

- Sempre vestir e ajustar os atabaques antes de manusea-los. E, após, cobri-lo.

- Saber (o Alabê) o tempo exato de alimentar os atabaques (o que ocorre anualmente).

- Durante as cerimônias, todos, deverão estar atentos a qualquer tipo de alteração, material ou espiritual, que possa a ocorrer durante o culto. Bem como, anunciar ao Babalorixá, através de toques específicos.
                                 
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Textos: Marcelinhu D'Xangô 
através de pesquisas realizadas nos textos do 
Mestre Obashanan e diversos sites.  

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